quarta-feira, 20 de novembro de 2013

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Desenho de Sociedade




Auto interesse e bem comum

Pensamento e ação no mundo.  
Como as emoções funcionam nas escolhas
Auto afirmação e integração
Cine inspiração
O mundo ecocida

As pessoas em primeiro lugar


O trabalho

A Piramide da desigualdade social

Profissões
Poluição

Zonas Sociais de Resistência


We work for free
http://www.youtube.com/watch?v=0SuGRgdJA_c&feature=youtu.be
Aprendendo a ouvir a si mesmo
http://www.youtube.com/watch?v=0SuGRgdJA_c&feature=youtu.be
Tecnologia social Oasis
https://www.youtube.com/watch?v=12JmY2ExDqA#t=37
Guerreiros sem Armas
https://www.youtube.com/watch?v=DJV1nVy42GE
Msg para guerreiros sem armas - Lia Diskin
https://www.youtube.com/watch?v=UzujGrYG2ug
Fale sem medo - Seminário Pela não violencia doméstica
https://www.youtube.com/watch?v=1Jxll6FlrPU

A natureza humana é potencialmente ética

 "Há teorias do conhecimento, tratados do conhecimento, mas pelo que sei, não existem grandes livros que possuem o título Do reconhecimento. Faz parte desse trabalho uma tentativa mais ampla de trazer a palavra e ao conceito de “reconhecimento” uma dignidade filosófica que ele não tem, comparado à palavra “conhecimento”." Paul Ricoeur

A busca do auto-conhecimento é uma umas filosofias espirituais que nos convidam e nos encorajam a trilhar caminhos e processos que nos levem a aventurar-nos a busca do auto- conhecimento próxima da noção e significado da idéia de reconhecimento, como também facilite para que o nosso olhar se dirija com mais facilidade na direção do encontro com o outro o reconhecimento do outro e com a ideia de alteridade que poderia assim nos levar ao sentido da empatia e ajudar a promover o sentido do reconhecimento mútuo.

A miseria do Presente e a Riqueza do Possível

Habitação
Segurança
As dez empresas que mais ganham com a guerra
Saúde
 "As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis"
Crítica Radical aos excessos da Medicina
Educação
Educação Colaborativa

Lixo
 Cientistas transformam lixo em energia renovável

Políticas públicas

História
Produção Imaterial na Periferia
Trabalho Imaterial, Compartilhamento de informação e Produção Colaborativa na Sociedade em Rede

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Design Social - Inovação & Inclusão

Design Social - Inovação & Inclusão
A proposta disruptiva para  uma outra economia está alinhada com alguns princípios e propósitos.
A necessidade das pessoas estão em seu centro.
O propósito é inovar para inverter a ordem dos fatores que geram processos formadores da riqueza. Manter a vitalidade economica mas dar sentido ao que se produz e ao que se consome. Colocar a economia a serviço das pessoas e não as pessoas a serviço da economia.  As necessidades das pessoas em seu centro.
http://www.inovacaoparainclusao.com/uploads/4/2/2/8/4228830/relatrio_do_instituto_palmas_12.2.pdf
http://www.inovacaoparainclusao.com/banco-da-periferia.html
http://porvir.org/porfazer/mit-leva-design-social-comunidades-de-sao-paulo/20120703
http://continuuminnovation.com/

Novo sujeito político

       Além de Nova York - Marina Silva / Folha de São Paulo
"As conexões e movimentos no mundo globalizado são visíveis, mas não evidentes. É preciso ver abaixo da superfície o que não é mostrado nas pesquisas de opinião ou nas oscilações do mercado financeiro. Os fenômenos que surpreendem na política são anunciados com antecedência nas entrelinhas das notícias.

A vitória do candidato democrata à Prefeitura de Nova York surpreende em vários aspectos: o perfil de ultraliberal com passado esquerdista, as propostas de justiça social caracterizadas como "populistas" ao melhor estilo latino-americano, o domínio dos republicanos nos últimos 20 anos, tudo isso, há pouco tempo, seria obstáculo para uma vitória tão folgada, com 70% dos votos.

O que querem dizer os nova-iorquinos? As maiorias ocultas, de etnias e línguas variadas, resolveram exercer na política um poder que só mostravam --e com dificuldade-- na cultura?

Quando o movimento Occupy Wall Street mostrou-se resistente a ponto de espalhar-se como estratégia pelo mundo inteiro, o iceberg de uma grande mudança revelou sua pontinha. Os jovens ativistas autorais são as novas antenas da raça humana. Muitas vezes sua importância passa despercebida, como também ficam invisíveis os 21% da população que vivem abaixo da linha de pobreza na capital financeira do mundo. Tanta contradição e potencialidade não fica contida para sempre.

Vimos o povo nas ruas no Egito, na Espanha, no Chile. Muitos diziam: isso não acontece no Brasil, aqui esses movimentos ficam restritos a desabafos na internet. Mas aconteceu, transbordou do virtual para o presencial em manifestações cujos efeitos estão longe de se esgotar. E, agora, quem pode dizer que tais movimentos não influenciarão a política, os Parlamentos e os governos?
Não se trata de anunciar a chegada ao poder e a hegemonia de uma nova geração. Trata-se, como tenho arriscado a dizer, de reconhecer o surgimento de um novo sujeito político e de mudanças no ambiente social e cultural em que a política acontece. O imprevisível ronda o palco dos acontecimentos.

Um desejo forte começa a expressar-se claramente. Milhões de pessoas escolhem qualidade de vida, e não consumo irrefletido; serviços públicos de qualidade, e não grandes obras inúteis; conservação do ambiente e valorização da vida, e não especulação e devastação. Os povos querem desenvolvimento econômico e social, que é muito além do "crescimento".

Ninguém mais alimenta ilusões em partidos salvadores da pátria, democratas ou republicanos, mas até neles podem ocorrer realinhamentos, novos espaços de ação e novos significados para a política. Portanto, boa sorte aos nova-iorquinos. A esperança está em toda parte."

Mapeando o bem comum

Mapeando o bem comum
http://periferiaemmovimento.wordpress.com/
Distopia
http://vimeo.com/39915322
Michel Hardt - Fundacion de los Comunes
http://fundaciondeloscomunes.net/es/content/com-n-y-poder-constituyente
Por uma democracia dos comuns
https://www.diagonalperiodico.net/blogs/fundaciondeloscomunes/por-democracia-del-comun-entrevista-michael-hardt.html
Los Comunes Urbanos
http://traficantes.net/nociones-comunes/los-comunes-urbanos
Ego e Eco - nomia
http://www.pinterest.com/pin/165718461260577499/
O mundo visto pelo lado de cá - Milton Santos
http://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM&feature=youtu.be
Site
https://pimentalab.milharal.org
Sonhar acordado
http://indexadora.wordpress.com/2013/10/17/neil-gaiman-por-que-nosso-futuro-depende-de-bibliotecas-de-leitura-e-de-sonhar-acordado/
Cooperativas do MST faturam 100 milhões por ano
http://www.cooperativismo.org.br/cooperativismo/noticias/noticia.asp?id=22845&idc=%5Bidc%5D&fb_action_ids=553192398097091&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation

Prossumidor

Prossumidor
10 empresas produzem tudo que vc consome
http://www.policymic.com/articles/71255/10-corporations-control-almost-everything-you-buy-this-chart-shows-ho
Radiação em salmão encontrada em São Francisco
http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias3/noticia=734927
Marketing das Cores
http://viverdeblog.com/psicologia-das-cores/?utm_source=facebook&utm_medium=darkposts&utm_content=10-outubro&utm_campaign=psicologia-das-cores
Refrigerador magnetico reduz 90% do consumo
http://www.veoverde.com/2013/11/refrigerador-magnetico-que-ahorra-90-de-energia/
Veguie Machine
http://ecoproductos.cl/?page_id=265


GABRIELA BAZZO
DE SÃO PAULO
"A arte e o design estão preparados para transformar a economia do século 21 tanto quanto a ciência e a tecnologia o fizeram no século passado". A visão é de John Maeda, 46, presidente da Escola de Design de Rhode Island (EUA) e considerado pela revista "Esquire" como uma das 75 pessoas mais influentes deste século.

Segundo ele, "artistas e designers serão os líderes da inovação".

Para Maeda, que já foi professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), o mundo pede hoje líderes criativos, que não temam o "fracasso produtivo", que tenham visão e que assumam riscos. Eles devem ter a capacidade de achatar os modelos organizacionais, manejando as empresas de forma menos vertical.

Leia trechos da entrevista do especialista à Folha.

Folha - Quais são as características ideais de um líder?

John Maeda - Na economia global contemporânea, as únicas constantes que os líderes encaram são a volatilidade e a complexidade. A perspectiva natural de artistas e designers -que se desenvolvem na ambiguidade - se tornou vital para os líderes. O novo tipo de liderança hoje em dia é a criativa.

Eu acredito que a liderança criativa é o que precisamos buscar atualmente. As características mais importantes desse tipo de modelo são: liderar pela inspiração, não pelo medo, pela criação de redes de contato, e não pela hierarquia, e pela experimentação e pela iteração, em vez da finalização.

Qual a importância de combinar técnica e sensibilidade? Como isso impacta grandes empresas?

Artistas e designers, em parceria com aqueles que desenvolvem soluções técnicas e científicas, são os únicos que podem responder questões profundas, humanizar o problema e criar respostas compatíveis com nossos valores. E é isso que irá nos mover para a frente. Mais do que nunca, nós precisamos de uma conexão com o consumidor como ser humano. Isso começa quando fundimos esse processo com a arte, o design e o pensamento crítico. O sucesso de empresas como o AirBnb (site para aluguel de hospedagens) evidencia como uma experiência bem desenhada é o que faz o sucesso de uma companhia nos dias de hoje.

Quais são os exemplos de benefícios gerados pela integração da ciência e das artes no mercado?

Os artistas e os cientistas tendem a encarar os problemas com mente aberta e inquietude. E ambos não temem o desconhecido, preferindo dar saltos, em vez de passos consecutivos. Eles se tornam parceiros naturais. Com esse pensamento complementar, há um grande potencial quando eles colaboram de forma contrabalançada, gerando resultados inesperados, que podem ser muito mais valiosos do que quando esses profissionais trabalham separados.

Alguns dos novos e mais poderosos produtos no mercado americano vêm da combinação entre design e tecnologia. A arte e o design são responsáveis por realmente promover inovação e, portanto, negócios de sucesso no século 21.
Vivenciar a economia na perspectica do Humano para acabar com a fome e os piores aspectos da pobreza,  capacitar os indivíduos a ter avanços em exercer o seu poder pessoal e político". - See more at: http://www.pachamama.org/blog/planetary-problems-moving-from-hopelessness-to-empowerment-part-ii#sthash.xPB0RENP.dpuf
"GT5 – Net ativismo e práticas de consumo
Coordenação – Eneus Trindade (ECA/USP)
Vice-coordenação – Dora Kaufman (ATOPOS-ECA/USP)

O tema deste GT busca abranger as práticas net ativistas relacionadas a marcas ou empresas, que sofrem influência direta do consumidor em seu posicionamento, atendimento, processos e produto final. Assim, a procura entender a nova dinâmica de mercado que emergiu com a cultura de redes, a qual proporcionou o nascimento de um novo perfil de consumidor, o consumidor digital ou “prosumidor”: sujeito ativo, capaz não só de consumir, mas de produzir e difundir sua opinião em escala global. Nesta nova ordem, a ideia de que a indústria detém o poder é invertida, pois o consumidor (prosumidor) gera demandas, e por meio de práticas net ativistas, exerce pressão e faz exigências diretamente aos responsáveis. Essas exigências podem ter em seu fundamento os mais diversos temas, como qualidade dos produtos, direito dos animais, preservação do meio ambiente, responsabilidade social. Trata-se da expressão de um novo tipo de mercado na qual a indústria não da mais as cartas, pois a troca de opiniões e experiências dos prosumidores tem alcance ilimitado e gera repercussão em grande escala, influenciando outros consumidores e consequentemente a forma de agir e postura das grandes empresas. Esta forma de consumo ativista está intimamente relacionada ao exercício da cultura participativa, característica essencial da sociedade pós-moderna e ligada ao novo paradigma ecológico que emergiu com as redes digitais. As novas formas de participação online evidenciam a chegada de um futuro diferente, no qual o consumidor ganha o poder de modificar o produto, o sistema e até mesmo a sociedade. Assim, o GT de “netativismo e práticas de consumo” visa colocar em discussão o novo papel que os consumidores assumem no contexto de redes, relacionando práticas netativistas e surgimento de uma nova dinâmica de mercado e paradigmas sociais."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Economia Sustentavel



por Marcus Eduardo de Oliveira*
face Economia sustentável
Uma economia só é sustentável quando respeita os princípios da ecologia.
Foi o mercado que formou o atual e devastador modelo econômico que, por se sustentar numa escala de produção crescente para “satisfazer” níveis de consumo exagerados, dilapida os principais serviços ecossistêmicos, exaurindo recursos ambientais acima da capacidade de regeneração do sistema ecológico.
Mesmo tal nível de consumo não sendo extensivo a todos, visto estar concentrado em poucas mãos, fere substancialmente o patrimônio natural. Os números que conformam esse argumento são ilustrativos: pouco mais de 250 pessoas, com ativos superiores a US$ 1 bilhão cada, têm, juntas, mais do que o produto bruto conjunto dos 40 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. Os 16% mais ricos do mundo são responsáveis por 78% do total do consumo mundial. E 92 mil pessoas acumulam em paraísos fiscais mais de US$ 20 trilhões. As 500 milhões de pessoas mais ricas do planeta são responsáveis por 50% da emissão de dióxido de carbono, agravando o efeito estufa.
De acordo com o relatório “O Estado do Mundo” (elaborado pelo Worldwatch Institute), em 2008 foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares. O consumo da humanidade em bens e serviços saiu de US$ 4,9 trilhões, em 1960 (calculado em dólares de 2008); para US$ 23,9 trilhões (1996), chegando em US$ 30 trilhões (2006) e, em US$ 41 trilhões, em 2012.
O consumo suntuoso, conspícuo, no “idioma economês”, grassa aceleradamente, “consumindo” o capital natural do planeta. Os gastos com cosméticos ao ano -somente nos EUA- chegam à importância de US$ 9 bilhões. A Europa (com 740 milhões de habitantes) gasta com cigarros, também ao ano, mais de US$ 50 bilhões, e mais US$ 105 bilhões são gastos em bebidas alcoólicas.
O gasto mundial anual em armamentos e equipamentos bélicos se aproxima de US$ 900 bilhões, enquanto apenas US$ 9 bilhões (portanto, 1% do que as grandes potências gastam para matar gente inocente) seriam suficientes para levar água e saneamento básico para toda a população mundial.
Esse modelo econômico de elevada produção “alimentado” com exagerado consumo, como dissemos, é destruidor dos serviços ecossistêmicos. Basta atentar para o estrago generalizado nos quatro ecossistemas que fornecem nosso alimento – florestas, pradarias, pesqueiros e terras agrícolas.
Especificamente, nesses dois últimos, a atividade econômica tem se manifestado ao longo do tempo de forma muito invasiva. Das 17 reservas pesqueiras oceânicas conhecidas no mundo, 11 delas possuem taxas de retirada maior do que a capacidade de reposição. Das terras firmes do mundo, quatro bilhões de hectares encontram-se deteriorados. Os últimos 50 anos de atividade econômica respondem pela depredação de 60% dos ecossistemas.
Relacionado a isso, o crescimento populacional e, logo, de suas “necessidades”, se apresentam num ritmo mais acelerado do que a natureza é capaz de suportar. Descontadas as mortes, a cada dia 220 mil novas pessoas nascem no mundo – são 80 milhões ao ano. Nos últimos 112 anos, a população cresceu mais de 350%; passou de 1,5 bilhão, no ano 1.900, para os atuais 7 bilhões. Por isso, de 1980 pra cá, o consumo mundial dos recursos aumentou 50% – a cada ano são extraídas 60 bilhões de toneladas de recursos.
Quando o consumo material excede o nível necessário, o bem-estar consequentemente declina. Talvez isso explique a necessidade de se criar uma nova economia, um novo modelo econômico projetado para a Terra – e não para o mercado -, sendo considerado sustentável, na acepção do termo, somente se praticar o imprescindível respeito aos princípios ecológicos. Para alcançar esse novo estágio de modelo econômico é necessário, antes, mudar o modus operandi do sistema econômico.
É inaceitável mantê-lo da forma como está, criando cada vez mais necessidades fúteis. É assim que esse modelo se sustenta, pouco se importando em satisfazer plenamente as necessidades da população, mas sim em continuar criando novas produções para alimentar um consumismo, em geral, de futilidades, mantendo sempre em nível elevado essas “necessidades”. Para isso, estimula-se em ritmo alucinante a produção econômica, “oferecendo”, como espécie de “recompensa”, à biosfera mais poluição, mais degradação ecológica.
A obsolescência programada (mecanismo para diminuir a vida útil dos produtos forçando assim novas vendas) ocupa considerável espaço nessa dinâmica. Apenas para ilustrar: somente em 2012, a população brasileira descartou (jogou no lixo) 200 milhões de telefones celulares.
Junto à insidiosa indústria da publicidade (o segundo maior orçamento mundial, perdendo apenas para os gastos bélicos) a dinâmica capitalista “surfa” cada vez mais nessa onda consumista. Quem sofre com isso é o planeta que fica arranhado em sua textura principal pelas garras afiadas desse consumo voraz, ainda que restrito para poucas mãos.
Marcus Eduardo de Oliveira é professor de economia. Mestre em Integração da América Latina (USP). Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br.
** Publicado originalmente no site Ideia Sustentável.
(Ideia Sustentável) 

Fonte: http://envolverde.com.br/economia/economia-sustentavel/

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Resíduos químicos são encontrados no prato das crianças francesas

02/12/2010 -

Le Monde
Pascale Santi
Em um dia, uma criança de 10 anos pode ser exposta, por meio de sua alimentação, a 128 resíduos químicos, provenientes de 81 substâncias diferentes. Quarenta e duas delas são classificadas como “possível ou provavelmente cancerígenas” e 5 como “certamente cancerígenas”. Trinta e sete substâncias também são perturbadores endócrinos (PE).
É essa a conclusão do estudo apresentado na quarta-feira (1º) pela associação ambientalista Générations Futures  e pela rede Health and Environment Alliance (Heal), em parceria com a Réseau Environnement Santé (RES) e a WWF-France. De julho a setembro, os autores da pesquisa fizeram suas compras nos supermercados de Oise e de Paris para adquirir os produtos necessários à alimentação diária padrão de uma criança de 10 anos que coma em casa, ou seja, três refeições e um lanche. Os cardápios não eram orgânicos, mas respeitavam o equilíbrio nutricional.
Em seguida, as associações pediram a laboratórios independentes que analisassem os alimentos para detectar a possível presença de resíduos de pesticidas, dioxinas, metais pesados, plastificantes (ftalatos, bisfenol A, perfluorados…) ou aditivos alimentares.
O resultado é exemplar: 34 substâncias químicas foram encontradas no salmão fresco, sendo que mais da metade eram cancerígenas ou perturbadores endócrinos; todas as 6 substâncias no queijo fundido eram cancerígenas e perturbadores endócrinos. Quinze resíduos foram encontrados na manteiga sem sal do café-da-manhã, 10 na carne moída com 15% de gordura, todas cancerígenas e PE, etc. No total, 128 resíduos químicos são ingeridos em um dia. Pior, foram encontradas substâncias proibidas na França em uma caixa de vagem proveniente do Quênia e uma no arroz importado da Ásia.
Embora os limites legais para cada substância tomada individualmente sejam respeitados em quase todos os casos, o “número de resíduos de pesticidas e de poluentes que foram encontrados é impressionante”, constata o Dr. Laurent Chevalier, nutricionista, membro da RES, que pede por “mais controle e pesquisas sobre o efeito cumulativo dessas diferentes substâncias químicas e do tempo de exposição”. Esses resultados “vão além daquilo que temíamos”, se preocupa François Veillerette, porta-voz do Générations Futures, que reconhece que esse estudo, o primeiro de uma ampla campanha lançado por sua associação sobre o tema “Meio ambiente e câncer” , “mereceria ser aprofundado”.
“Os efeitos de prováveis sinergias induzidas pela ingestão de tais coquetéis contaminantes não são levados em conta e o risco final para o consumidor é provavelmente muito subestimado”, afirmam os autores da pesquisa. “Atualmente, não sabemos quase nada sobre o impacto dos coquetéis químicos ingeridos por via alimentar”, insiste Veillerette. “Estamos pedindo pela aplicação do princípio de prevenção a fim de diminuir ao máximo a exposição ambiental, e especialmente a alimentar, a substâncias suspeitas de serem cancerígenas”, dizem os autores. “O veneno não é a intensidade da dose, mas sim a repetição de pequenas doses, e portanto o tempo de exposição”, afirma o professor Dominique Belpomme, da Universidade Paris-V-Descartes.
Esses médicos se preocupam com a progressão da prevalência dos cânceres, mesmo que a mortalidade esteja caindo, e com a relação de causalidade revelada entre a exposição aos pesticidas e a origem de certos cânceres entre os trabalhadores agrícolas, segundo a Liga contra o Câncer. Nesse contexto, “nossos representantes devem encontrar meios de reduzir de maneira substancial a exposição, especialmente a alimentar, da população a essas substâncias químicas”, explica Veillerette. Já existem soluções de substituição, segundo ele, em especial a agricultura orgânica ou integrada.
Embora o estudo seja considerado esclarecedor, há aqueles que procuram acalmar os ânimos.  “Nós temos necessariamente em nossos pratos substâncias químicas, é tudo uma questão de dose. O homem pode metabolizar os xenobióticos aos quais ele se expôs continuamente (alimentação, medicamentos, ar interno…),” observa a Dra. Marie-Christine Boutron-Ruault, diretora de pesquisa do Inserm no Instituto Gustave-Roussy, “mas não há por que se gerar uma fobia entre a população, que não saberia mais o que comer”.
Tradução: Lana Lim

Sociedade Civil exige um Processo Transparente e Democrátic



Cancun, Mexico 3 de dezenbro de 2010

Em um ano em que milhões de pessoas de todo o mundo foram afetadas pelos impactos negativos das mudanças climáticas, a tarefa da CMNUCC de reduzir as emissões de gases de efeito estufa de forma drástica e imediata, é mais urgente do que nunca. Os cientistas têm advertido de forma sistemática, que cada vez temos menos tempo de agir para enfrentar este problema mundial de forma efetiva. É por isso que nós, as organizações da sociedade civil abaixo assinadas, solicitamos um processo democrático, transparente e participativo nas negociações do clima da ONU, que conduza a resultados em Cancun equilibrados, equitativos e baseados na ciência, para implementar a Convenção do Clima da ONU e os compromissos legalmente vinculantes dos países desenvolvidos de reduzir suas emissões em virtude do Protocolo de Quioto.

Cancun deve produzir um resultado que tenha legitimidade, mediante um processo justo e democrático. Mas, o prognóstico e muito desalentador.

O processo deve evitar o comportamento excludente, não transparente e antidemocrático da Conferência do Clima de Copenhague em dezembro de 2009, que terminou com um gosto amargo, minando a confiança e que conduziu ao polêmico Acordo de Copenhague.

O Acordo, realizado por um grupo exclusivo de 28 países eleitos pelo governo dinamarquês, e estabelecido ao final da conferência sobre a base da política “ame-o ou deixe-o”, é ilegítimo e também segundo os termos do secretariado do clima da ONU, não possui validade legal. Cientistas confirmam que essas promessas poderiam causar mais de 4°C de aquecimento, o que provocaria impactos catastróficos para populações e ecossistemas do mundo, e mudança climática irreversível.

Estamos revoltados com a informação de que o governo mexicano convidou alguns Chefes de Estado e a outros não. Denunciamos qualquer intenção em Cancun de utilizar novamente um processo de um pequeno grupo de Chefes de Estado selecionados para defender os interesses de uns poucos países a expensas de muitos.

Também expressamos preocupação diante da informação sobre a possibilidade de que a Presidência Mexicana convoque um processo que reúna a ambas as vias da negociação, arriscando assim um retrocesso, a inspirar uma retirada do Protocolo de Quioto e diminuir a ambição de outras Partes. Os países desenvolvidos devem honrar não abandonar sua obrigação legalmente vinculante de reduzir suas emissões em virtude do Protocolo de Quioto a partir de 2012.

E assim mesmo, nos preocupa a nova proposta do Presidente do Grupo de Trabalho Especial sobre a cooperação de longo prazo (GTE-CLP) para que haja um resultado em Cancun, que foi pleiteado sem a solicitação das partes, o qual reflete a forte parcialidade do Acordo de Copenhague e exclui a maioria das demandas fundamentais dos países em desenvolvimento.

Entre outras coisas:
  • · Elimina toda a referência de manter o aquecimento abaixo de 1 a 1,5 graus que conta com o apoio de 100 países nas negociações;
  • · Elimina toda referência ao financiamento de pelo menos 1,5% do produto interno bruto dos países do Anexo 1, que conta com o apoio do G77 + China, que representa mais de 130 países, e de ao menos 6% por parte de Bolívia;
  • · Da autoridade ao Banco Mundial para que supervisione os fundos no marco de um Novo fundo mundial para o clima, apesar de os países em desenvolvimento solicitarem de forma unânime um novo fundo sob autoridade da CMNUCC; e
  • · Estabelece novos “mercados de carbono” que permitirá aos países desenvolvidos continuar contaminando, enquanto podem se esquivar de seus compromissos financeiros e passar a carga da mitigação aos países em desenvolvimento.
O texto eliminou virtualmente todas as propostas apresentadas pela Bolívia como base ao Acordo dos Povos que reflete o desejo de mais de 35,000 representantes dos movimentos e organizações sociais que participaram na Conferência Mundial dos Povos na Bolívia em abril de 2010.

As Partes não solicitaram este texto para as negociações. Exigimos que as Partes trabalhem em um texto elaborado por elas mesmas (texto 13 Agosto) que reflete as opiniões das Partes e que as negociações sigam sendo dirigidas pelas Partes e não pelos Presidentes das sessões.

Estas preocupações também se aplicam às negociações do Protocolo de Quioto onde o Presidente tenta propor seu próprio texto que adiaria a adoção de objetivos para as reduções de emissões legalmente vinculantes por parte dos países desenvolvidos em Cancun, geraria riscos de expansão de vazios legais em operações contábeis e substituiria o sistema de vinculação legal com um sistema de compromisso voluntário como o observado no acordo de Copenhague.

Finalmente, estamos preocupados com os limites impostos pelo Governo mexicano e pela Secretaria Climática das NNUU no que diz respeito à participação total da sociedade civil. Não vamos tolerar nenhum esforço para fazer calar as pessoas ou limitar nossas vozes.

Acreditamos que é possível que se alcance um resultado exitoso em Cancun, que aplique a Convenção e cumpra com as obrigações legalmente vinculantes dos países desenvolvidos para reduzir suas emissões em virtude do Protocolo de Quioto. O ponto chave é assegurar que os países desenvolvidos honrem seu compromisso e fazer com que as vozes dos mais afetados pelas mudanças climáticas sejam ouvidas.

Assinam:
Asociacion Globalizate, Spain
Asociación Nacional de Empresas Comercializadoras de Productores del Campo (ANEC), Mexico
Bangladesh Krishok Federation, Bangladesh
CEICOM, Mexico
Center for Food Safety, US
Centro Operacional de Vivienda y Poblamiento A.C. (COPEVI), Mexico
Científicos por el Medio Ambiente (CIMA), Spain
Civic Response, Ghana
Confederación Española de Consumidores y Usuarios (CECU), Spain
Dimpos Manalu KSPPM, Indonesia
Dimpos Manalu, KSPPM, Indonesia
Equity and Justice Working Group, Bangladesh
FAIR, Italy
FERN, UK
Focus on the Global South
Freedom from Debt Coalition, Philippines
Friends of the Earth International
Fronteras Comunes, Mexico
Fundación IPADE, Spain
Fundación Pachamama, Ecuador
GAIA, Global Alliance for Incineration Alternatives
Gayo Forest Foundation, Indonesia
Grassroots International
Green Camp, China
Green Zhejiang, China
Hangzhou Eco-culture Association, China
HELIO International
Institute for Agricultural and Trade Policy, US
Institute for Essential Services Reform, Indonesia
International Center for Technology Assessment, US
International Forum on Globalization, US
International Rivers, United States
International Youth and Student Movement for the United Nations
Izquierda Unida, Spain
Jagaran, Nepal
JS-Asia/Pacific Movement on Debt and Development
Jubilee South
Jubilee USA Network, US
Kenya Young Greens, Kenya
Koalisi Anti-Utang (KAU), Indonesia
Kruha Water Coalition, Indonesia
LDC Watch
Mines Minerals People, India
National Forum For Advocacy, Nepal
New York Climate Action Group, US
North-South XXI
Pachamamma Foundation, Ecuador
Perkumpulan Elang-Riau, Indonesia
Philippine Movement for Climate Justice (PMCJ), Philippines
Rainforest Foundation US
Rainforest Foundation, UK
Red Mexicana Frente el Libre Comercio (RMALC), Mexico
Rural Reconstruction, Nepal
SEO/Birdlife, Spain
Serikat Nelayan Indonesia(SNI), Indonesia
SONIA, Italy
South Asian Alliance for Poverty Eradication (SAAPE)
Suluh Muda Indonesai, Indonesia
SUPRO, Bangladesh
Sustainable Energy & Economy Network, US
Third World Network
USO, Spain
World Development Movement, UK
World March of Women – Marcha Mundial das Mulheres(MMM – MMF – WMW)
Wuhu Ecology Center, China
Yaxche’, Árbol de la Vida, A.C., Mexico
YEL-SOCP, Indonesia

Algas marinhas podem fornecer moléculas para remédios, biocombustíveis, tintas e filtros solares



Algas marinhas multiuso – O Brasil guarda debaixo d’água um reservatório valioso para o fornecimento de produtos como medicamentos, combustíveis e até mesmo um filtro solar natural de ótimo desempenho.
São as algas marinhas, cujo potencial muito além dos sushis foi destacado pelo professor Pio Colepicolo Neto, do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), no Workshop sobre biodiversidade marinha: avanços recentes em bioprospecção, biogeografia e filogeografia, realizado pelo Programa Biota-FAPESP e que termina nesta sexta-feira (10/9), na sede da Fundação.
Colepicolo coordena o Projeto Temático “Estudos de bioprospecção de macroalgas marinhas, uso da biomassa algal como fonte de novos fármacos e bioativos economicamente viáveis e sua aplicação na remediação de áreas impactadas (biodiversidade marinha)”, que também integra o Biota-FAPESP.
“Por estarem expostas a ambientes e situações adversas, as algas desenvolvem, como metabólitos secundários, moléculas químicas extremamente sofisticadas e diferentes das estruturas produzidas por plantas terrestres”, disse à Agência FAPESP.
Segundo o cientista, já se sabe que as algas marinhas desempenham uma função fundamental no ambiente: elas respondem por cerca da metade do oxigênio liberado na atmosfera; delas saem o dimetil sulfeto, principal gás responsável pela formação de nuvens; são biorremediadoras de águas poluídas; e podem ser utilizadas como um biomarcador de poluição. Colepicolo também mostrou que as algas podem ser fornecedoras de compostos únicos e extremamente complexos.
“Essas moléculas encontram vasta aplicação na indústria farmacêutica ao servir de base para a fabricação de antiinflamatórios, antifúngicos, antivirais, bactericidas, antioxidantes e mais uma enorme gama de produtos que podem ser desenvolvidos de forma inovadora, estratégica e economicamente importante para o Brasil”, destacou.
As aplicações dessas substâncias vão além da medicina. Na agricultura, por exemplo, antifúngicos extraídos de macroalgas podem ser aplicados sobre frutas como mamão, morango e figo e, com isso, pode-se aumentar o tempo de vida útil da fruta na prateleira de três a quatro semanas.
“Podemos ganhar até um mês de viabilidade em produtos agrícolas que são exportados”, disse o professor da USP, ressaltando a importância econômica de aplicações como essa.
Outro grande potencial das micro e macroalgas marinhas é fornecer o princípio ativo para protetores solares naturais. Há cinco anos, em um outro projeto apoiado pela FAPESP sob a coordenação de Colepicolo, o grupo de pesquisa isolou de macroalgas da costa brasileira as micosporinas (MAA), substâncias químicas de baixo peso molecular, com alta capacidade de absorver radiação ultravioleta (UV).
Algumas micosporinas são também antioxidantes. Essas substâncias têm a finalidade de protegê-las contra os efeitos danosos de UV, função exercida pelos flavonoides nas plantas terrestres.
Por ficarem mais expostas ao sol, as algas tropicais são as que mais apresentam substâncias resistentes aos raios UV. Esses protetores solares naturais das algas são particularmente importantes para os biomas marinhos, pois também fornecem proteção solar a outros organismos como peixes, moluscos, zooplâncton e corais.
“As algas marinhas produzem essas substâncias e muitos peixes adquirem proteção solar ao se alimentar desses organismos fotossintetizantes”, explicou o pesquisador.
O fenômeno do branqueamento de corais é causado pela ausência desses protetores naturais fornecidos pelas algas. A ausência das algas que vivem em simbiose com os corais os deixam expostos à radiação. Com isso, eles acabam sofrendo a ação direta dos raios UV, perdem coloração e morrem. Ambientalmente, esse efeito é extremamente danoso, pois perdem-se componentes importantes do equilíbrio ecológico marinho.
O desempenho do protetor natural também chamou a atenção dos pesquisadores. Em testes, o absorvedor de UV das algas apresentou um espectro de absorção muito próximo ao mais eficiente produto sintético vendido no mercado.
“A indústria cosmética poderá se beneficiar de dois efeitos do produto – sua ação antioxidante e de proteção contra UV – e, com isso, oferecer produtos com ação sinérgica contra o estresse oxidativo, câncer de pele e envelhecimento precoce”, afirmou.
Colepicolo estima que, além de protetores para a pele, as micosporinas poderão ser usadas na base de tintas e vernizes para proteger materiais que ficam expostos à luz solar, como prédios e barcos.
Biocombustíveis
O pesquisador também abordou no workshop as perspectivas de produção de algas marinhas em regiões próximas à costa brasileira, um subprojeto integrante do Projeto Temático. “As fazendas de cultivo de macroalgas ajudariam a preservar as espécies, uma vez que evitam a extração e eventual predação dessas plantas em seu ambiente natural”, disse.
Em parceria com a professora Eliane Marinho-Soriano, do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Colepicolo espera desenvolver sustentabilidade em cultivos integrados que envolvam a criação de organismos diferentes.
A primeira experiência é o cultivo de macroalgas e a criação de camarões em um único tanque do tamanho de um campo de futebol, em média, a 1,5 metro de profundidade.
A cada três meses, mesmo tempo de crescimento ideal das macroalgas, os camarões são coletados e as águas eutrofizadas dos tanques são devolvidas aos mangues da região. Com os cultivos integrados, as macroalgas colaboram para a purificação da água absorvendo o excesso de nitrogênio, fosfato e outros resíduos para seu desenvolvimento, servindo assim de biorremediadoras ambientais.
“A parceria com a professora Eliane da UFRN é muito importante. No Rio Grande do Norte há alta incidência de radiação solar, o que aumenta a produtividade das algas”, disse Colepicolo, explicando que a luz solar aumenta a velocidade de desenvolvimento e de reprodução das plantas aquáticas.
Para o professor da USP, as algas podem ainda ser uma boa fonte de biocombustíveis e suprir a demanda por biodiesel que não consegue ser atendida somente pelas fontes animais e vegetais terrestres atuais. Esse também é um dos braços de pesquisa contemplados pelo Projeto Temático.
Para esse objetivo, o pesquisador defende o melhoramento de cultivos e a aplicação de engenharia molecular, além de pesquisas em extração e refino do óleo de alga. Esses esforços poderiam tornar o combustível de alga competitivo em relação ao similar obtido do petróleo.
“A bioenergia de algas tem duas frentes diferentes de pesquisa. Primeiramente, as microalgas, ricas em lipídios, ou gorduras, são ideais para a fabricação de biodiesel”, disse Colepicolo, ressaltando que, diferentemente dos vegetais terrestres, o cultivo de algas não necessita de fertilizantes nem de pesticidas.
“Já as macroalgas possuem um alto teor de açúcar. Algumas espécies apresentam entre 50% e 60% de seu peso seco em polissacarídeos. São açúcares que, ao serem degradados por enzimas específicas, transformam-se em monômeros fermentáveis que dão origem ao etanol”, completou.
As macroalgas podem participar das pesquisas do etanol de terceira geração provenientes de carboidratos. “Trata-se de uma alternativa sustentável e ecologicamente correta, pois só usa água salgada e luz solar para crescer e não é necessária a utilização de agrotóxicos e fertilizantes”, disse.
Mais informações: www2.iq.usp.br/docente/piocolep
Reportagem de Fábio Reynol, da Agência FAPESP, publicada pelo EcoDebate, 13/09/2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

‘A ordem econômica do pós-guerra está colapsando’ - Boaventura de Sousa Santos



Adital -
[A recente reunião do G-20 em Seul foi um fracasso e mostrou que a ordem econômico-financeira criada no final da Segunda Guerra Mundial está colapsando, indicando no horizonte a eclosão de graves conflitos comerciais e monetários].
A recente reunião do G-20 em Seul foi um fracasso total. Chegou a ser constrangedora a perda de credibilidade dos EUA, como suposta economia mais poderosa do mundo, e o modo como tentaram acusar a China de comportamentos monetários afinal tão protecionistas quanto os dos EUA. A reunião mostrou que a "ordem" econômico-financeira, criada no final da Segunda Guerra Mundial e já fortemente abalada depois da década de 1970, está a colapsar, sendo de prever a emergência de conflitos comerciais e monetários graves. Mas curiosamente estas divergências não têm eco na opinião pública mundial e, pelo contrário, um pouco por toda a parte os cidadãos vão sendo bombardeados pelas mesmas ideias de crise, de tempo de austeridade, de sacrifícios repartidos. Há que analisar o que se esconde por detrás deste unanimismo.
Quem tomar por realidade o que lhe é servido como tal pelos discursos das agências financeiras internacionais e da grande maioria dos Governos nacionais nas diferentes regiões do mundo tenderá a ter sobre a crise econômica e financeira e sobre o modo como ela se repercute na sua vida as seguintes ideias: todos somos culpados da crise porque todos, cidadãos, empresas e Estado, vivemos acima das nossas posses e endividamo-nos em excesso; as dívidas têm de ser pagas e o Estado deve dar o exemplo; como subir os impostos agravaria a crise, a única solução será cortar as despesas do Estado reduzindo os serviços públicos, despedindo funcionários, reduzindo os seus salários e eliminando prestações sociais; estamos num período de austeridade que chega a todos e para a enfrentar temos que aguentar o sabor amargo de uma festa em que nos arruinamos e agora acabou; as diferenças ideológicas já não contam, o que conta é o imperativo de salvação nacional, e os políticos e as políticas têm de se juntar num largo consenso, bem no centro do espectro político.
Esta "realidade" é tão evidente que constitui um novo senso comum. E, no entanto, ela só é real na medida em que encobre bem outra realidade de que o cidadão comum tem, quando muito, uma ideia difusa e que reprime para não ser chamado ignorante, pouco patriótico ou mesmo louco. Essa outra realidade diz-nos o seguinte. A crise foi provocada por um sistema financeiro empolado, desregulado, chocantemente lucrativo e tão poderoso que, no momento em que explodiu e provocou um imenso buraco financeiro na economia mundial, conseguiu convencer os Estados (e, portanto, os cidadãos) a salvá-lo da bancarrota e a encher-lhe os cofres sem lhes pedir contas.
Com isto, os Estados, já endividados, endividaram-se mais, tiveram de recorrer ao sistema financeiro que tinham acabado de resgatar e este, porque as regras de jogo não foram entretanto alteradas, decidiu que só emprestaria dinheiro nas condições que lhe garantissem lucros fabulosos até à próxima explosão. A preocupação com as dívidas é importante mas, se todos devem (famílias, empresas e Estado) e ninguém pode gastar, quem vai produzir, criar emprego e devolver a esperança às famílias?
Neste cenário, o futuro inevitável é a recessão, o aumento do desemprego e a miséria de quase todos. A história dos anos de 1930 diz-nos que a única solução é o Estado investir, criar emprego, tributar os super-ricos, regular o sistema financeiro. E quem fala de Estado, fala de conjuntos de Estados, como a União Europeia e o Mercosul. Só assim a austeridade será para todos e não apenas para as classes trabalhadoras e médias que mais dependem dos serviços do Estado.
Porque é que esta solução não parece hoje possível? Por uma decisão política dos que controlam o sistema financeiro e, indiretamente, os Estados. Consiste em enfraquecer ainda mais o Estado, liquidar o Estado de bem-estar onde ele ainda existe, debilitar o movimento operário ao ponto de os trabalhadores terem de aceitar trabalho nas condições e com a remuneração unilateralmente impostas pelos patrões.
Como o Estado tende a ser um empregador menos autônomo e como as prestações sociais (saúde, educação, pensões, previdência social) são feitas através de serviços públicos, o ataque deve ser centrado na função pública e nos que mais dependem dos serviços públicos. Para os que neste momento controlam o sistema financeiro é prioritário que os trabalhadores deixem de exigir uma parcela decente do rendimento nacional, e para isso é necessário eliminar todos os direitos que conquistaram depois da Segunda Guerra Mundial. O objetivo é voltar à política de classe pura e dura, ou seja, ao século XIX.
A política de classe conduz inevitavelmente à confrontação social e à violência. Como mostram bem a recentes eleições nos EUA, a crise econômica, em vez de impelir as divergências ideológicas a dissolverem-se no centro político, agrava-as e empurra-as para os extremos. Os políticos centristas (em que se incluem os políticos que se inspiraram na social democracia europeia) seriam prudentes se pensassem que na vigência do modelo que agora domina não há lugar para eles. Ao abraçarem o modelo estão a cometer suicídio. Temos de nos preparar para uma profunda reconstituição das forças políticas, para a reinvenção da mobilização social da resistência e da proposição de alternativas e, em última instância, para a reforma política e para a refundação democrática do Estado.
[Publicado pela CartaMaior, 15-11-2010].

* Sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal) e da Universidade de Wisconsin (EE.UU.)